
Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) prenderam na Rua da Cerâmica, no bairro do João de Deus, por volta da 10h de ontem, Simão Pedro de Lima Sales, de 37 anos. Ele é acusado de produzir o show da banda Charlie Brown Jr., cancelado por três vezes, em São Luís. Contra ele existem dois mandados de prisão, um preventivo e outro condenatório, no estado de São Paulo.
De acordo com a delegada Uthânia Moreira Lima Gonçalves, as investigações em torno de Simão começaram desde as reclamações dos consumidores em torno dos cancelamentos dos shows da banda em São Luís, que estavam sendo produzidos pela empresa SS Produções, de propriedade de Simão Pedro. As apresentações foram marcadas nos dias 14 de julho (no Trapiche), 26 de agosto (na Batuque Brasil) e no dia 6 de setembro (na Expoema), mas em nenhuma destas datas ele ocorreu, devido à falta do repasse do valor acordado.
Ao logo da apuração policial, segundo a delegada, foi constatado que contra o acusado existiam dois mandados de prisão em aberto, decretados pela 19ª Vara Criminal de São Paulo, em decorrência de assalto ocorrido em 2005. O primeiro mandado foi expedido antes da sentença, pelo juiz Antônio Carlos de Campos Machado Júnior. O condenatório, por sua vez, foi assinado pelo juiz Marcelo Martins Berth.
Conforme declarou Uthânia Lima, foi em cumprimento a esse mandado condenatório que o acusado foi preso. Entretanto, Simão Pedro também foi indiciado pela delegada do Consumidor pelo crime de estelionato, especificado no artigo 171, do Código Penal; e por crime contra as relações de consumo, artigo 7, da Lei 8137/90.
Na delegacia, Simão teria revelado em favor de sua defesa que transferiu a realização do evento, a ser realizado na Expoema, para outro empresário, conhecido em São Luís, mas que a delegada preferiu não divulgar o nome para não atrapalhar as investigações. Essa segunda pessoa teria mandado confeccionar mais 10 mil ingressos, além dos 2.200 que já haviam sido vendidos para as duas datas anteriores em que o show tinha sido marcado. O produtor ainda alegou que, com ele, ficaram apenas 817 ingressos que ainda precisavam ser trocados. ‘Existem indícios suficientes de que essa segunda pessoa tenha participado do golpe. O próprio Simão mostrou e-mails de contatos desse empresário com os produtores da banda. Essa pessoa vai ser intimada e investigada por nós. Vamos pedir, inclusive, a quebra de sigilo telefônico para a Justiça’, declarou Uthânia Moreira, informando que vai encaminhar ofício para a Vara de Execuções Penais a fim de saber para onde o acusado será encaminhado.
Segundo informou a delegada, cerca de 50 pessoas já procuraram a Delegacia do Consumidor e o Procon para denunciar a lesão que sofreram. Até o momento, ninguém que adquiriu o ingresso teve o dinheiro devolvido.
Outro lado – A reportagem do Jornal Pequeno manteve contato com Mata Roma Sobrinho, advogado de Simão Sales. Ele afirmou que todos os cancelamentos do show do Charlie Brown Jr., em São Luís, ocorreram em função da relação da SS Produções com esse empresário, cujo nome não foi informado. ‘A SS Produções é vítima tanto quanto os fãs da banda’, declarou o advogado.
Fonte: http://migre.me/5UbXt
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