Do Fanatismo ao Sacrifício


O que motiva uma pessoa abrir mão dos seus planos, de sua família e amigos para viver em função de uma celebridade?

Para muitos adolescentes, o exemplo de um ator, cantor ou de uma banda é a inspiração na construção de seu caráter e sua identidade dentro da sociedade ou mesmo em sua turma de amigos. É comum se encontrar nas ruas jovens que se inspiram no cabelo e roupas de cantoras como Amy Winehouse, ou a roqueira Pitty. Esse fanatismo vem preocupando os pais que se questionam até que ponto esse fanatismo de seus filhos é normal. Será que vale a pena passar 14 horas, ou mais, em filas de shows? Dormir em aeroportos e até mesmo acampar na porta de hotéis?


Foto: Jerri Rossato

Diego Feitosa é fã da banda Charlie Brown Jr e ganhou o apelido de “Sheik” devido a uma música da banda. O Charlie Brown Jr é conhecido por suas letras marcantes que utilizam uma linguagem jovem. Diego lembra com saudade de quando começou a ir aos shows, na época, com apenas 15 anos. “Ter me tornado fã da banda me trouxe bons amigos, o meu primeiro amor e me tornou um homem de mais atitude”, revela.

Presidente do fã-clube do Charlie Brown Jr, aqui em São Paulo, Diego hoje tem outras prioridades e já não pode dar a mesma atenção para a banda que dava quando era adolescente, mas não se arrepende de nada do que já possa ter feito. “Eu sempre fiz de tudo para ir aos shows, ficava horas em filas, esperava para conseguir falar com o Chorão. Foram muitos anos assim, e sempre que posso, vou aos shows”, revelou.

A maior preocupação dos pais em relação ao fanatismo de seus filhos é a perda da identidade. O jovem passa a maior parte do tempo escutando as músicas, comprando revistas e acompanhando os passos do ídolo. Com a internet, o acesso dos fãs às vidas das celebridades se torna mais fácil graças ao uso do Twitter, Facebook e sites especializados. Por conseqüência, facilita ainda mais a dependência dos fãs e torna mais distante o convívio com adolescentes que não estão no mesmo grupo do qual eles fazem parte. Os pais acreditam que isso pode afastá-los da realidade, deixando-os presos nas vidas desses ídolos.

A revista Scientific American publicou uma pesquisa desenvolvida por Lynn McCutcheon e James Houran, que explicam os diferentes graus de dependência criados entre os fãs e as celebridades que eles cultuam. As escalas variam do simples interesse por acompanhar o que acontece na vida das celebridades, por puro entretenimento, até os casos patológicos, em que fanatismo transforma-se em doença e o fã assume atitudes perigosas ou até mesmo um comportamento criminoso. Por mais cuidados que um ídolo ou os pais dos fãs possam ter em relação a esse fanatismo, nunca será suficiente.

Champignon, 33 anos, é baixista do Charlie Brown Jr e voltou recentemente para a banda, depois de uma ausência de seis anos. Mesmo afastado, Champignon sempre priorizou os seus fãs, ambos se respeitando e mantendo seus espaços. “Comecei a lidar com essa molecada muito jovem, com 12 anos já tocava. Tenho fãs que são mais íntimos, outros que tentam invadir o seu espaço e também aqueles que estão ali só para tirar uma foto com você e postar em alguma rede social”, comentou o músico Champignon.

Para a psicóloga Tercília Alves Faustino, essa obsessão por celebridades é algo passageiro na maioria dos casos. “O melhor a fazer é observar se ocorrem mudanças de personalidade e de comportamento, dentro e fora de casa”, observou a psicóloga.

Diante dos padrões de beleza que as revistas e as emissoras de televisão impõem, é comum as pessoas se inspirarem nas celebridades. O ideal, no entanto, é que isso não interfira em sua vida e saúde.

 RAQUEL CONSORTE ANDRADE

http://www.fiamfaam.br/momento/?pg=leitura&id=3861&cat=1

Diego Sheik

Fã das antigas do Charlie Brown Jr, idealizador, fundador e presidente do Skate Vibration, formado em Web Design, é blogueiro, apaixonado por tecnologia, web, música, fotografia e tudo mais.

Um comentário em “Do Fanatismo ao Sacrifício

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